quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Régis Machado

“Morei trinta anos em Taubaté. Conheci Paulo de Tarso há mais de quarenta e cinco anos. Garoto, magrelo, agitado, louco e doidão, sempre aprontador, divertido pra caramba, tantas histórias por Taubaté. Lembro-me das comemorações no bar do Alemão, era um bar delicioso, gostoso, em frente ao Cine Metrópole, áureos tempos, o bar era frequentado pela elite do Vale do Paraíba, a cada vitória da nossa Fanfarra íamos lá comemorar e em muitas ocasiões terminávamos travando guerras de mostarda. E o Paulo junto com a gente ali, sempre. O bilhar da praça era o lugar onde os juízes, desembargadores, médicos hoje famosos ficavam também. Depois a gente ficava jogando conversa fora ali debaixo de um poste que tinha na esquina, tomando uma cervejinha: eu, Paulo de Tarso, Morgado, Mascaretti, Renatinho Teixeira… Depois, quando prenderam o Paulo foi aquela correria, eu era muito amigo do pai do Paulo, queria muito bem ao Dr. Venceslau, passava na porta da casa dele e ele sempre estava ali, de terninho elegante, a cada encontro confessava preocupação com Paulo e com a falta de notícias e informações não chegavam direito para a gente, chegavam distorcidas, nós não sabíamos o que de fato estava ocorrendo com ele, chegavam notícias de tortura e isso amedrontava, era assustador”.
“Paulo é, essencialmente, um idealista, ele vai chegar com esse jornal Contato em lugares inimagináveis, de uma hora para outra ele vai surpreender todo mundo, sei disso, vai se transformar num grande jornal, numa editora… porque ele tem a coisa na cabeça, é idealista no duro, é um cara honesto e lutador, tanto que aqui em São José ele denunciou as falcatruas que ocorriam e que anos depois se confirmaram, ali foi o começo da corrupção que existe hoje".

Régis Machado

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