quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pedro Venceslau – jornalista

“Eu estava na quarta série do primeiro grau quando ganhei de meu pai a primeira (e única) máquina de escrever. O presente foi um incentivo à idéia de montar um jornal da classe (imagino que ele tenha ficado aliviado por eu não pedir uma sapatilha de balé ou um revólver de brinquedo). O fato é que a publicação, reproduzida por Xerox, foi um sucesso retumbante entre os demais 20 coleguinhas. O mini império midiático durou pouco. Logo outro aluno -filho de pais abastados apareceu na escola com outra publicação feita em computador (coisa fina na época) e todo colorido. Resultado: a escola deu de costas à liberdade de imprensa e proibiu os dois. Meu pai tomou as dores e tentou reverter o quadro, sem sucesso. Muitos anos depois, ele lembrou dessa história quando contou que estava montando um jornal de verdade em Taubaté. Custei a acreditar que poderia dar certo. E lá se foram dez anos. Mesmo sem estar no calor da luta dos fechamentos diários, escrevi e acompanhei todas as edições do Contato. Na incrível história do Paulo de Tarso, o verdadeiro PT, esse foi sem dúvida o combate mais longo. Uma década de resistência aos encantos do poder e ataques dos pequenos coronéis. Dez anos de imprensa livre e investigativa. Não podia ser diferente. Afinal, a gente nasce e morre todos os dias...”

Pedro Venceslau – jornalista

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