quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eliana Malta 


Você foi o maior dos meus sonhos e de todos os abraços, o que eu nunca esqueci... A maturidade me ensinou a te amar...de outro jeito!

Beijos,

Eliana Malta

outro


Num dos carnavais da década de 60, o Paulo e eu éramos namorados. Muito jovens e apaixonados. Mas, carnaval era carnaval e o moço se libertava das amarras do cotidiano para cair na farra dos quatro dias de momo. Eu, a mocinha da história ia aos bailes mas deveria me comportar muito bem. Não ficávamos o baile todo juntos, pois o Paulo chegava bem mais tarde ficando no "esquenta" com a turma. Nesse carnaval, eu estava vestida com um sarongue azul turquesa e o Paulo com o famoso índio que vez ou outra era também usado pelo Dino. Além de muita bebida, também cheirávamos muito lança perfume, rodoro purinho. Tudo escondido, mas liberado no salão. Como o Paulo era muito visado, não arriscou entrar com o aroma enlouquecedor. Mandou me chamar para fora do clube e lá pediu que eu entrasse levando o lança perfume entre meus seios avantajados. Lá fomos nós para mais voltas no salão. Num dado momento aquele índio sedutor me arrasta para o "elefantinho", lugar para um bom "amasso" e também para usufruir do rodoro. Assim que apertou não saiu nada...havia evaporado em meu corpo durante as várias voltas dadas pelo salão. O índio virou bicho e me deixou de castigo o resto do baile, sem ficar comigo. Chorei, chorei até que acabou o som e na escadaria do grill voltamos a ser namorados com muitos beijos e juras de nunca mais me fazer chorar, até a próxima noite de folia, quando então nos transformávamos em tirolesas, colombinas, espanholas à espera do homem amado....
Era 1969, o Paulo já não vinha muito para Taubaté. A clandestinidade não permitia mais ter uma vida comum. Nessa, eu não o via já mais de um mês. Sem notícias, tomei uma decisão, iria procurá-lo na cidade grande. Eu tinha 17 anos, cursava 3º ano do normal no Bom Conselho na parte da manhã. Com a ajuda da Maúcha, minha prima, arquitetamos um plano. De manhã bem cedo, quando nossos pais fossem para o trabalho, eu iria para casa dela, trocava o uniforme por roupa normal e seguiria para a rodoviária rumo à São Paulo. Assim foi. Chegando lá, fui direto para o endereço que peguei com ele já fazia tempo. Era na Praça Roosevelt. Entrei no prédio com muito medo, Bati na porta, e depois de uns 10 minutos ela se abre com um dos companheiros com uma arma na mão. Quase caí...mas era apenas um dos sequestradores do embaixador americano Charles Elbrick que ao me ver, disse...PT, seu bauzinho está aqui.....

Eliana Malta

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