terça-feira, 19 de maio de 2009

Problema habitacional em Taubaté

Recebemos o texto reproduzido abaixo, de autoria do munícipe Gabriel Hilário.

Taubaté: habitação e os movimentos sociais

A questão habitacional em Taubaté apresentou, nos últimos meses, uma de suas dimensões: a desvinculação entre o poder público e os movimentos sociais. Falo isso tendo em vista o aparecimento de, pelo menos, três casos exemplares, verdadeiras fraturas no tecido social da cidade. Foram levadas a público as demandas dos moradores do Conjunto Residencial Tancredo Neves, do Ipanema Ville e de agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

No primeiro caso, um loteamento foi construído onde antes havia um aterro sanitário, o que vem gerar, agora, problemas na estrutura das casas. No segundo, trata-se de uma ocupação de reivindicação do uso social da propriedade, conforme os preceitos constitucionais brasileiros. A ocupação do MST visa, assim como todas as ocupações realizadas por esse Movimento, a aceleração do processo de reforma agrária, uma das inúmeras dívidas do Estado brasileiro para com a população mais pobre.

O que revelam esses casos? Esses casos demonstram que as administrações públicas, sejam elas federais, estaduais ou municipais têm se valido da construção habitacional sem verdadeiro comprometimento para com as demandas dos diversos agentes sociais. O que é pior, agentes ligados diretamente à questão da habitação e das necessárias reformas agrária e urbana. Qualquer pessoa sabe da importância política dos órgãos públicos ligados à habitação e dos inúmeros casos em que estes foram utilizados como trampolim eleitoral.

Não se trata de culpar esta ou aquela administração em específico, mas de denunciar, aqui, a manutenção da mesma lógica pelas diversas administrações ao longo da história. Basta lembrar que, no caso do Conjunto Residencial Tancredo Neves, o loteamento data de mais vinte anos. Esse caso é uma clara demonstração do uso populista da habitação pela administração pública. Os pobres, a quem são destinados loteamentos desse tipo, têm que contentar-se com casas construídas sobre lixões. A propaganda fica, assim, garantida, sem que os problemas futuros sejam notados.

É necessário, portanto, uma mudança na maneira de se fazer política habitacional. Ignorar a representatividade e tentar criminalizar os movimentos sociais de reivindicação é atitude autoritária e demonstra a opção ideológica que os governos fazem. Realizar mega-sorteios de casas, valendo-se desses momentos como palanque é aproveitar-se da necessidade da população mais carente. É caminhar para o passado. Não precisamos de novas versões dos currais eleitorais.

3 comentários:

Anônimo disse...

Quando a gente se depara no jornal Contato com a matéria que trata da eleição da Profa. Polliana para presidente do PPS, sem nunca ter lido o estatuto do partido só se pode esperar isso dos políticos do lugar. Esperar mais o quê?
Por oportuno, perguntamos: que estatuto é esse que permite que pessoas recém filiadas tenham direito de voto?

Anônimo disse...

Parabéns pelo comentário da Pollyana: preciso, como as matérias do jornal Contato.

DULA disse...

os comentarios acima só vem reforçar o quanto a politica manda na cidade.eo povo continua aceitando tudo calado... e o nosso dinheiro ...??? O GATO COMEU!!!!OU SERÁ A GATA!!!