sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Merenda Escolar

Segue abaixo, na íntegra, o artigo intitulado "A bala de prata", publicado na edição 350, de 8 a 15 de fevereiro de 2008, de autoria do nosso diretor de redação Paulo de Tarso Venceslau, conforme noticiado na reportagem "Merenda escolar pode asfixiar Peixoto" publicada na edição 397.


A bala de prata

Nem a chuva e o frio que tomaram conta da terra de Lobato em pleno verão arrefeceram o ânimo e as especulações a respeito de quem seria a vítima da única bala de prata que descansa inquieta na garrucha do Justiceiro

Tem uma lenda correndo pela cidade. Apareceu um Justiceiro armando com uma garrucha. Isso mesmo, garrucha. Aquela que dobra para que pudesse ser carregada com uma ou duas balas. A do Justiceiro, dizem, tem cano simples. E ele só tem uma bala. Uma bala de prata. Daquelas usadas para combater lobisomem.
O Justiceiro não usa capa cinza longa e nem chapéu meio caído sobre os olhos. Aliás, ninguém que viu seus olhos sobreviveu. Muitos afirmam que nem olho ele tem. Seriam dois buracos escuros que enxergam tudo. Até a alma dos seus desafetos. O Justiceiro é uma fera que não brinca em serviço.
Esse é o assunto de 11 entre 10 rodas de amigos nos botecos da estrada de Sete Voltas. Até o incêndio que comeu parte das terras de Gabino, o seresteiro do Vale, já foi debitado na conta dessa estranha criatura. Outros afirmam que antes de vir para a cidade, ele cavalgava galhardamente seu cavalo alazão. Lá, ninguém tem medo do Justiceiro.
Já nos botecos da estrada do Barreiro corre a lenda de que o Justiceiro andava com um fusquinha caindo aos pedaços. Era sempre bem recebido. Todo mundo queria que ele aceitasse um drinque ou um petisco. Mas ninguém se recorda de um dia ter ouvido qualquer palavra daquele estranho, mas simpaticíssimo homem enfiado naquela capa cinza. A única certeza que os moradores da estrada do Barreiro têm é que desde que o Justiceiro apareceu por lá não houve um roubo de galinha sequer.
De repente, o Justiceiro foi visto passando pelo Bar do Osmar. Outra noite, teria sido no Chico Bunda. Em seguida os bares do Pereba, Tangaroa, Tipuana passaram a disputar a presença do Justiceiro desde que ele se afastou da Sete Voltas e do Barreiro. Só no Blues Brazil não há registro de testemunhas. Seriam os poderes mediúnicos de Paulinho, Walter e Michel que estariam impedindo sua presença. Os mais entendidos, porém, dizem que o Blues tem corpo fechado.
Na Casa da Eliza, em Quiririm, o Justiceiro teria optado por uma mesa sob uma das frondosas árvores do seu jardim. Na última vez, Armando jura que viu a garrucha do homem (?). "Tem um único cano, está sempre engatilhado e a única bala de prata brilha tanto que dá pra ver até no escuro", conta assustado um funcionário da subprefeitura.
Quando essa notícia passou pela avenida Tiradentes e subiu alguns degraus em frente a guarnição do Corpo de Bombeiros, houve um verdadeiro frisson. E olha que o Carnaval ainda nem havia começado. Zé Arvico nem havia decidido ainda que seria candidato a vereador. Mas a história da bala de prata pegou.
Quem seria a próxima vítima do Justiceiro? Um padre pedófilo? Um traficante de peso? Um político que rouba dinheiro público? Um pai-de-santo fajuto? Um traveco que quase o engana? O criador das maravilhosas rotatórias da terra de Lobato?
Seja qual for a resposta, nas rodas de botecos, aos poucos, vai crescendo uma certeza: a bala de prata será usada em 2008.

2 comentários:

Anônimo disse...

quanto mais procurarem mais vão encontrar,tem que ir em todas as escolas e creches que vão ver muito mais que procuram

Anônimo disse...

Nem se deem ao trabalho de procurar nada, podem encontrar tudo que nada vai adiantar.
Essa gente de bobo não tem nada, eles confiam na indiscutivel e incontestavel IMPUNIDADE.
As vezes acho que quem procura na verdade quer é uma parcipação maior na mamata.